José Luiz Feiten

Mais de 700 mil impantes dentários são realizados com produtos de pirataria

Implantes devem ter certificação da Anvisa.

Uma pesquisa feita pela Associação da Indústria de Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo) estima que um terço dos 2,2 milhões dos implantes dentários realizados anualmente no país são fruto de produtos piratas, ou seja, sem certificação de órgão reguladores como a Anvisa. Os dados são de 2015 e foram obtidos a partir de uma comparação entre o número de procedimentos feitos e o de produtos vendidos legalmente, que não têm certificados. De acordo com o especialista em implantes e próteses, José Luiz Feiten, uma das características das  peças falsificadas é que elas ficam frouxas e caem com facilidade, além de aumentarem a chance de infecções bucais e posteriores prejuízos financeiros.

Feiten explica o que geralmente ocorre: o material pirata é, na maioria das vezes,a peça que faz a conexão entre o implantee a boca. O uso de um elemento diferente do original gera uma folga entre as peças, onde as bactérias podem se acumular e causar as infecções.

— Ao serem fabricados, os implantes vêm com uma conexão que os liga a boca. A conexão pirata nada mais é do que uma peça que não se adapta aquele implante específico. O dentista compra uma conexão genérica e coloca lá. Mas não é tudo a mesma coisa! Isso vai causar o aumento da distância entre o implante e a peça e, consequentemente, haverá mais entrada de bactérias. Aí o paciente pode ter uma infecção e nem saber de onde está vindo — explica Feiten.

Segundo ele, é importantíssimo que o profissional use todos os componentes do implante de uma mesma marca. Em seu consultório em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, o especialista só utiliza produtos com certificação nacional, também reconhecidos pela Comunidade Européia e pelos Estados Unidos. Feiten afirma que este certificado é fundamental caso o paciente precise fazer algum tratamento no exterior. O dentista também aconselha seus pacientes a se informarem sobre o material usado durante todo o tratamento.

— Normalmente, o paciente não procura saber sobre o tipo de implante, de conexão feita e qual é a marca dos materiais. Mas é muito importante que ele tenha essa informação e guarde para a vida toda. Se trocar de dentista e tiver que trocar o implante, vai precisar dessa informação — garante.

O tratamento de implante é indicado para pacientes com perda de dentes e que querem voltar a mastigar normalmente, além de recuperar a estética. O implante faz, portanto, o papel da raiz do dente. Sem ele, é impossível sustentar a prótese que ali será adaptada. A cirurgia é feita com anestesia local e, em alguns casos, sedação. No consultório do doutor Feiten, o paciente já sai da clínica com dentes provisórios.

— O paciente chega sem dente e já sai do consultório com um sorriso perfeito, com um dente provisório. O pós-cirúrgico não tem dor nenhuma, mas ele vai precisar esperar de quatro a seis meses para ter o dente definitivo de porcelana, porque é preciso que o osso e o titânio colocado se integrem de forma total. Só depois disso, colocamos o definitivo — resume Feiten, que há 30 anos trata pacientes com necessidade de implantes e próteses.

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